quarta-feira, 23 de abril de 2008

SEGUIDORES DE BAAL

É justo que apresentemos a Deus a nossa gratidão por aquilo que ele nos permitiu receber. Muita coisa ele permitiu que chegasse às nossas mãos, para o bem da nossa vida pessoal e da nossa comunidade. Que todos nós sintamos estimulados a louvar a Deus pelas bênçãos recebidas.

A fé cristã, aliás, se caracteriza pela atitude de gratidão a Deus. O povo de Deus é um povo que sabe ser grato e o louvor a Deus está sempre fazendo parte de sua vida.

O texto lido do profeta Joel nos ajuda a renovar esta atitude. Joel conclama o povo de Deus a alegrar-se, a regozijar por causa das grandes cousas que o Senhor faz, por causa do seu agir maravilhoso. Assim ele diz:

"Não temas, ó terra, regozija-te e alegra-te; porque o Senhor

faz grandes cousas. Não temais, animais do campo... alegrai vos,

filhos de Sião; regozijai-vos no Senhor vosso Deus".

Ao mesmo tempo, porém, em que renovamos a nossa atitude de louvor a Deus pelo que ele nos dá diariamente, somos lembrados de que vivemos num tempo em que esta atitude de gratidão a Deus está sendo transformada numa atitude de cobrança de Deus. Ou seja, prega-se um deus que, por causa das suas promessas, tem a obrigação de atender as orações imediatamente. Se eu peço chuva, Deus tem que mandar chuva agora. Se eu peço cura, Deus tem que curar instantaneamente. Se pedir prosperidade, Deus tem que me dar prosperidade já, se possível incluindo o sucesso e um bom emprego.

Enfim, surgiu entre nós a religião de resultados imediatos.

Olhando o agir de Deus deste ângulo parece que Deus é reduzido a um parceiro de negociação, de trocas. Pior ainda, Deus é reduzido ao proveito que dele se pode obter. Daí, o agradecimento a Deus é proporcional ao benefício dele recebido (Muitos dizem vou deixar o cabelo ou barba crescer ou vou raspar a cabeça se Deus me der a benção,outros dizem se Deus me prosperar vou ser fiel dízimos e ofertas, vou fazer 7 dias de jejum pra Deus me dar um carro). A fé se confunde com os resultados conquistados.

O profeta Joel, compara este tipo de prática com a religião de Baal. A ele se apela sempre que há um problema. Baal resolve os problemas pontuais e imediatos. É um deus de resultados.

A lógica da religião de resultados propõe o seguinte: se você crer, você receberá rápido. Você foi fiel, ele vai ser fiel a você. Depois do período de jejum, poderei pedir uma bênção e ele terá que me atender. Você foi honesto, trabalhador, ele tem de te recompensar. E o contrário quem não recebeu bênçãos é porque não creu. (como alguém pedirá uma benção a Deus se não crer nEle)

A pergunta que se impõe para nós é: como ficam as pessoas que também foram honestas e trabalhadoras e não foram recompensadas? Como ficam os agricultores que araram semearam, mas não fizeram boa colheita? Como ficam os trabalhadores que continuam desempregados? Como ficam as que também os paralíticos, cegos ou aidéticos que pediram cura e não ficaram curadas?

Como ficam, aquelas pessoas que oraram que jejuaram, mas ainda não alcançaram a vitoria? Que não conseguiram encontrar trabalho? O estudante que apesar de se esforçar não conseguiram passar numa disciplina?

Que tiveram perdas? Que ficaram com dívidas? Que não conseguiram colher boas amizades? Que não conseguiram manter o emprego? Estas estão excluídas do cuidado de Deus?

O profeta Joel aponta para além da religião de Baal ou a religião de trocas e resultados. Ele anuncia Javé e seu senhorio sobre todo o universo. Ele anuncia o Deus Criador do universo, cujo senhorio abrange tudo o que existe. Nada está alheio ao seu olhar. Nada escapa ao seu olhar misericordioso. Nada e ninguém estão excluído do seu agir maravilhoso e dos seus grandes feitos. Joel anuncia este Deus a partir de uma experiência traumática vivida pelo povo de Israel: uma catástrofe - uma invasão de gafanhotos que deixou a terra destruída, além de uma grande seca, seguida de um tempo de carestia. Foi uma experiência de caos. E ela lembrava outra experiência caótica, ocorrida pouco antes, o exílio babilônico. Em situação de caos, a pergunta que perturba a quem crê costuma ser esta: Será que Deus nos abandonou? Será que ele se esqueceu de nós? Será que só enxerga os outros que continuam indo bem? Os outros, que têm prosperidade e recebem bênçãos sobre bênçãos? O povo de Deus do tempo de Joel se fazia estas perguntas e, às vezes, acreditando no abandono de Deus, passavam a apelar para um deus quebra-galho, que era Baal.

De repente você conheça alguém, ou mesmo você mesmo esteja vivendo o caos em sua vida pessoal, financeira, emocional, vivendo o caos na saúde ou em seu ministério.

Você, quem sabe, já tomou medidas agressivas para contornar a situação, mas, só encontrou descontentamentos, incompreensão, frustração, perdas ou até mesmo luto.

Será que Deus te Abandonou?

Talvez, em algum momento, você até tenha pensado mais no deus dos resultados imediatos!

Em meio ao caos e a todo tipo de ameaças, o profeta Joel anuncia o Deus Criador, que é capaz de recriar. È Recriar. Restabelecer a primeira criação. Para isto, Baal não tem capacidade. Se uma vez Deus já criou todas as coisas a partir do caos que havia no início, ele o pode fazer de novo, a partir do caos que vivemos hoje.

Javé é o Deus do qual não escapa o caos. Ele o usa para recriar as coisas. De dentro do caos Deus faz nascer um novo tempo, sim um tempo em que "as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de vinho e de óleo". Um tempo em que “os anos que foram consumidos pelo gafanhoto serão restituídos". Um novo tempo em que todos "comerão abundantemente e se fartarão" e em que o povo de Deus "jamais será envergonhado".

Diferentemente de Baal, Deus é capaz de recriar. E Ele o faz, perdoando os pecados e dando ao ser humano um coração novo. Ou seja, o nosso Deus sempre permite um recomeço: um recomeço da vida pessoal, um recomeço na nossa vida familiar, um recomeço do nosso ministério, um recomeço da nossa Fé.

A partir do testemunho do profeta Joel, nós podemos crer num Deus que é maior que a nossa colheita. Ele será nosso Deus mesmo quando falta a chuva ou quando a chuva for demais. Ele será nosso Deus apesar da solidão,da injustiça, apesar dos gafanhotos, apesar das dificuldades, apesar da crise.

Não podemos reduzir Deus a resultados. Não podemos reduzir a atuação de Deus a uma boa colheita. Nem podemos considerá-lo ausente quando a colheita não é boa.

Para nós do Ministério Apostólico Nova Aliança isto significa:

Não podemos reduzir Deus ao tamanho de nosso templo. Não podemos reduzir Deus ao nosso conhecimento, ao nosso trabalho ou ao até mesmo nossa fé.

Deus é maior que as nossas produções. Não conseguimos abranger Deus. A fé verdadeira é aquela que reconhece Deus no seu agir maravilhoso e nos seus grandes feitos.

Enfim, não podemos reduzir a presença de Deus aos nossos bons resultados obtidos, nem podemos considerar Deus ausente de nossa vida por causa das dificuldades que nos atingem. Deus é maior que as nossas conquistas, e as dificuldades não são prova da sua ausência. A sua presença conosco no caos é uma presença mais significativa do que a sua presença em situação de prosperidade e triunfo. O louvor mais autêntico é aquele que nasce em nós quando percebemos a presença solidária de Deus conosco no caos. O louvor mais autêntico é aquele que é dado a Deus simplesmente porque ele é Deus. Porque ele é o Criador, que, a partir do caos, é capaz de nos recriar, de recriar a Igreja e de recriar o mundo. Hoje eu quero para proclamar a vocês o Deus que faz grandes coisas e age maravilhosamente.

Deus sempre será contigo.